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INCLUSÃO DIGITAL E CIDADANIA

INFOCENTROS ESPALHADOS PELO ESTADO E PORTAL NA INTERNET: PROJETO PIONEIRO DE INCLUSÃO DIGITAL NÃO PÁRA DE CRESCER POR SIMONE DE MARCO

Vencedor do Prêmio Mario Covas na categoria “Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação”, o Acessa São Paulo – um dos mais abrangentes programas de inclusão digital do Brasil, ao colocar a tecnologia da informação a serviço dos cidadãos e manter postos públicos para acesso livre e gratuito à Internet – acumulou no ano de 2006 uma série de conquistas que reafirmam o seu caráter inovador e a importância do seu papel social. Os números confirmam essa trajetória de sucesso.

O crescimento do número de postos no período foi de 140%, com aumento significativo de 160 para 395 estações ativas (e mais 67 em implantação), o que resultou de um processo implantado em ritmo surpreendente: um posto aberto a cada dia útil, durante dez meses. O número de atendimentos ao cidadão atingiu a marca de 20 milhões, prestados em 353 municípios, por um total de 749 monitores devidamente capacitados. O número de computadores instalados é de quase 3 mil e o programa já conta com cerca de 890 mil usuários cadastrados.

A satisfação com o serviço também foi traduzida numericamente. As pesquisas com usuários, realizadas semanalmente nos postos, registram notas médias de 8,8 para o atendimento prestado pelos monitores; 7,2 para o impacto positivo na vida dos usuários; e 7,6 para a qualidade das salas e dos computadores.

Mas o grande avanço nesse projeto de reformulação e ampliação do programa veio com a expansão das possibilidades de acesso para além dos limites físicos dos postos instalados, ao passar a atuar também em um “ambiente virtual”, após a criação de um portal de entrada na Internet, que já atingiu a marca de 11 milhões de páginas visitadas (pageviews) por mês.

Primeiro contato com a Internet

A grande maioria dos usuários pertence a famílias de baixa renda: 83% têm renda familiar de até quatro salários mínimos, o que comprova a vocação do Acessa São Paulo para incentivar e ampliar a inclusão digital dos cidadãos paulistas. Os infocentros, espaços públicos com computadores para uso comum e acesso livre e gratuito à Internet, mantidos pelo programa – instituído por decreto em julho de 2000 – tornaram realidade, em muitos locais, o primeiro contato de muitos com essa tecnologia. Tornaram-se também uma alavanca para o desenvolvimento local. E é justamente nessa idéia que estão concentrados os critérios de expansão do programa: são priorizadas as regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e os municípios sem outra opção de acesso à Internet.

Por isso, a ampliação do programa foi mais expressiva no interior do Estado. "Nosso objetivo primordial é atender ao cidadão que não tem acesso ao computador e, principalmente, à Internet. Essa expansão rápida e voltada ao interior, ocorrida no último ano, tem um significado especial", diz o ex-coordenador do Acessa São Paulo, Ricardo Kobashi (o programa é coordenado atualmente por Antonio Carlos Gonçalves de Oliveira).

A segunda meta da iniciativa também já está em estágio avançado de implementação. "Temos outra diretriz, que é ajudar o cidadão a usar a Internet em benefício próprio. E, com vistas a esse objetivo, desenvolvemos vários instrumentos", explica Kobashi. Ele fala, dentre outras coisas, do portal AcessaSP na Internet, que entrou no ar em dezembro de 2005 em substituição ao antigo sítio institucional. O conteúdo oferecido – facilmente navegável por internautas iniciantes – inclui, além de dados sobre o programa, informações sobre serviços públicos, governo eletrônico e ferramentas interativas de desenvolvimento pessoal, com blog, fotolog, instrumento de consulta interativo (mediawiki), dentre outras.

Nesse ambiente virtual, são desenvolvidos os projetos "Eu me Lembro" e a Rede de Projetos Comunitários do Acessa São Paulo. O primeiro estimula os usuários dos postos e cidadãos em geral a relatar fatos de sua história pessoal, que são publicados no sítio do programa, com o intuito de promover a capacidade de expressão em língua escrita, a memorialística, a troca de informações e a mudança de posição dos interlocutores, que passam de meros “receptores” da informação a “emissores” do conteúdo veiculado. A Rede de Projetos Comunitários, por sua vez, tem como objetivo estimular as lideranças comunitárias e a população de baixa renda, em geral, a fazer uso da tecnologia disponibilizada nos postos do Programa como suporte ao seu desenvolvimento pessoal e à viabilização de projetos de origem e ação local, que venham a beneficiar a comunidade da região.

Nessa linha de trabalho, enquadra-se o apoio a mais de cem projetos comunitários. "Damos liberdade para que cada posto trabalhe com projetos próprios, de interesse da comunidade na qual ele está inserido, utilizando para isso até 30% do tempo de suas atividades", conta Kobashi. As metas de crescimento e de melhoria da qualidade do Programa Acessa São Paulo tornaram imperativas, também, a avaliação constante de sua gestão, a definição e formalização de seus processos e o estabelecimento de métricas e de modelos de qualidade aplicáveis aos serviços prestados. "Essa etapa do nosso crescimento está voltada principalmente às necessidades do usuário", explica.

Nessa etapa, ganhou espaço o interesse pela avaliação científica do trabalho desenvolvido. O recém-criado projeto Conexões Científicas visa a estimular a construção e o compartilhamento dos conhecimentos no campo da inclusão digital, a partir do incentivo à elaboração de novas pesquisas acadêmicas, baseadas tanto no universo empírico do programa como no desenvolvimento de novas aplicações experimentais de tecnologia de informação e comunicação. Com isso, tem-se em vista fomentar novas políticas públicas de inclusão digital.

A reformulação visando a uma nova identidade visual foi empreendida no último ano. A nova logomarca estampa as cores oficiais do Estado de São Paulo.

O Acessa SP é gerido pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp). Seu modelo de atuação é o de parcerias, a exemplo da firmada com a Escola do Futuro da USP (que desenvolve atividades de capacitação e projetos de inclusão digital) e com a Fundap (responsável pelo treinamento dos monitores). Seus postos são abertos com a colaboração de organizações comunitárias, órgãos e secretarias de governo, prefeituras, e de outros programas, como o Restaurante Bom Prato e Poupatempo, além de empresas como Metrô, CPTM, EMTU e outros.

Por trás do sucesso conquistado está a visão clara do governo de que sem tecnologia não há como os municípios e, em conseqüência, o Estado se desenvolverem. <

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