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A inclusão digital de professores e alunos da rede pública de educação é o denominador comum dos projetos Coisas Boas da Minha Terra e Coisas Boas para a Minha Terra, ambos vencedores do Prêmio Mario Covas na categoria “Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação”.
O primeiro a surgir foi o Coisas Boas da Minha Terra, a partir de uma parceria com a Fundação Telefônica, que ofereceu à Secretaria Estadual de Educação (SEE) a oportunidade de atuação conjunta no programa EducaRede (www.educarede.org.br), que mantém um portal na Internet e está sob a coordenação executiva do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). O passo seguinte foi buscar algo inovador, com a colaboração da Cenp (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas) e da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação).
A opção de implantação adotada pelos técnicos envolvidos foi incentivar a criação de comunidades de aprendizagem, baseadas em um tema capaz de atrair o interesse de alunos e professores, e aproveitar a infra-estrutura digital já implantada nas escolas abrangidas pelo projeto. Foi daí que surgiu a proposta de resgatar a história e a cultura locais. A efetiva implantação se deu a partir do final de 2004 e envolveu 194 escolas, chegando a 650, em 2005. Segundo Aglaé Alves, coordenadora de Educação a Distância da SEE, a adesão foi voluntária. “As escolas tiveram autonomia para escolher o que desejavam produzir, tiveram voz e se sentiram protagonistas das ações.”
O trabalho ultrapassou os muros das escolas. A partir do contato com a comunidade e com a realidade local, os alunos e professores foram percebendo os problemas da cidade e suas demandas.
Nesse contexto, foi natural o surgimento do segundo projeto, Coisas Boas para a Minha Terra, que atingiu 470 escolas, em 2006. De acordo com Márcia Coutinho, do Cenpec, coordenadora pedagógica do projeto, “no Coisas Boas da Minha Terra, os professores e alunos se tornaram cidadãos bem informados; já no Coisas Boas para a Minha Terra, eles passaram ao exercício ativo da cidadania”.
O desenvolvimento dos projetos só se tornou possível graças à parceria firmada com a iniciativa privada, que cobriu todos os custos. O diretor-presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, ressalta que o objetivo da instituição foi “contribuir para o desenvolvimento social e impulsionar a melhoria da educação, usando as competências do grupo Telefônica, que são a informação e a comunicação”. Para ele, um aspecto fundamental é que “o processo só se completou com a criação de um projeto para articular a infra-estrutura e a capacitação em torno de um objetivo mais amplo, o que propiciou a inserção de conteúdos de qualidade e o uso da Internet como instrumento pedagógico”.
Comunidade virtual e participação
Um dos aspectos que chamam a atenção nesse trabalho é o incentivo à figura do aluno-monitor, no qual a Secretaria da Educação já vinha investindo. Além de atuar nas salas de informática, facilitando aos freqüentadores o acesso à rede, o aluno-monitor se caracteriza por motivar os colegas a participarem das ações coletivas e por contribuir para a reflexão. Esse perfil foi potencializado por ambos os projetos Coisas Boas.
Como resultado, surgiram nas escolas iniciativas como a promoção de debates com políticos locais na época das eleições, para esclarecer a população sobre a importância do voto. Outras experiências bem-sucedidas foram a realização de oficinas em abrigos de idosos e em espaços de atendimento à criança. Para Aglaé Alves, esse tipo de comprometimento reforça valores positivos. “Estes jovens”, acredita, “não irão se envolver com drogas ou violência.”
Todo o acompanhamento pedagógico das atividades foi feita a distância, através de videoconferências, com a utilização da infra-estrutura da Rede do Saber, da SEE. As ações desenvolvidas foram registradas em textos, fotos e vídeos. Esse material foi compartilhado através da comunidade virtual do EducaRede, ambiente no qual os alunos puderam trocar idéias e dar os seus depoimentos. Para Márcia Coutinho, o ambiente virtual abriu para as escolas a oportunidade de colaborarem umas com as outras, uma vez que trabalharam com quatro tópicos comuns: meio ambiente, saúde, cultura e cidadania. Além dessa rede de solidariedade e construção coletiva do conhecimento, Márcia destaca que “as ações foram pensadas localmente, mas ressoaram em todo o Estado, estabelecendo a ligação entre o local e o global”.
Para a coordenadora do EducaRede Brasil, Priscila Gonzales, a experiência acumulada pelo próprio programa também foi muito rica. “Nós trabalhávamos com conteúdos para professores, diz ela, e agora o número de alunos usuários cresceu de forma significativa.” Priscila notou também que houve uma abertura maior na relação entre alunos e professores, que puderam aprender uns com os outros.
Resultados
Dentre os resultados concretos dos projetos está a produção de um CD-ROM interativo, no qual o usuário pode fazer 16 bilhões de combinações de imagens, sons e textos colhidos durante o processo. A mostra está disponível em www.educarede.org.br.
A experiência foi também relatada no livro Aprendizagem em Rede – Comunidade Virtual, que analisa o potencial de uso de ambientes colaborativos da Internet no ensino e na aprendizagem. O texto – disponível para download e impressão no Portal EducaRede – também aborda como esse recurso favorece a produção de conhecimento nas relações entre professor-aluno e aluno-aluno.
A avaliação geral dos coordenadores é que – ao valorizar a identidade local e promover o trabalho colaborativo – tanto o Coisas Boas da Minha Terra como o Coisas Boas para a Minha Terra são projetos com grandes possibilidades de multiplicação e adaptação em qualquer contexto escolar. Segundo Aglaé Alves, a expectativa é que, em 2007, os projetos possam ser estendidos para toda a rede escolar do Estado de São Paulo. “Este ano, todas as escolas deverão passar a contar com a Internet em banda larga, um requisito para participar dos projetos, o que propiciará a sua expansão.” < |