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Será possível saber se um veículo utilizado em um assalto a banco na cidade de São Paulo foi usado antes em crimes cometidos em outras cidades do Estado? Será possível, utilizando um único sistema de informação, rastrear as ligações telefônicas recebidas e efetuadas nos últimos doze meses a partir de celulares apreendidos com criminosos e ainda investigar as pessoas que telefonaram para esses aparelhos? A resposta é sim. A Polícia Civil de São Paulo criou para isso o Omega, um sistema de inteligência artificial que unifica as principais bases de dados do país. Ferramenta semelhante é utilizada pela reconhecida polícia inglesa, a Scotland Yard.
O Omega, disponível na intranet da Polícia Civil, fornece em tempo real, para os policiais usuários, informações on-line das bases de dados sobre condutores e veículos operadas pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito), pelo IIRGD (Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt), que expede as carteiras de identidade, e pelo Infocrim (Sistema de Informações Criminais), os Boletins de Ocorrência registrados na polícia, a base de dados das penitenciárias, os sistemas de escuta telefônica e outros. Enfim, trata-se de um sistema que integra bases de dados (exceto bancários) em um único ambiente, fornecendo informações sobre pessoas, veículos, armas e endereços.
O sistema venceu o Prêmio Mario Covas na categoria “Eficiência no Uso dos Recursos Públicos e Desburocratização“. “O Omega torna a investigação policial mais eficiente porque consegue reunir muitas informações relativas ao mesmo crime. Chega-se, assim, aos vários relacionamentos sobre o mesmo fato que seriam impossíveis de descobrir em um sistema manual. Hoje em dia, as grandes investigações precisam de sistemas informatizados”, diz o sociólogo Tulio Kahn, coordenador do Centro de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
A primeira versão do Omega surgiu em 2003; a partir de 2005, já com formato mais consolidado, o sistema passou a contar com a chamada “árvore de relacionamento”. Trata-se de uma ferramenta que agrupa, a partir da primeira informação da pesquisa – o nome de uma pessoa, por exemplo –, informações em níveis distintos, no formato visual de uma árvore com vários troncos, que são as diversas pistas que os investigadores podem seguir.
A principal característica do Omega, que hoje é a maior ferramenta de busca da Polícia Civil, é ter sido criado especificamente para facilitar a investigação policial. Um dos criadores do sistema, Algney Denser, superintendente da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados) para a área criminal, explica que o usuário pode iniciar uma pesquisa e deixar um alerta no sistema, para que cada nova informação encontrada sobre o objeto pesquisado seja reportada ao autor da busca.
Além disso, o Omega opera a partir de sinônimos, e não de palavras-chave, aumentando ainda mais o escopo das pesquisas. Se o usuário pesquisar sobre um crime cometido com “arma branca”, serão informadas ocorrências com facas, estiletes e tudo o que não entrar na categoria “arma de fogo”. No entanto, como explica Denser, quanto mais refinada for a pesquisa, mais preciso será o resultado obtido. Assim sendo, se, por exemplo, o policial souber apenas o apelido do suspeito, a pesquisa será mais eficiente se o sistema for alimentado com outras variáveis: faixa etária, características físicas, cor da pele, tatuagens etc.
O fato de o sistema utilizar várias bases de dados permite que o policial saiba em tempo real se o acusado já foi condenado, onde cumpriu pena e o nome dos seus companheiros de cela em vários períodos do encarceramento. Denser ressalta que o sistema só pode ser utilizado para investigações criminais, preservando integralmente a privacidade das pessoas sem ligação com o crime.
Custo de implantação
O sistema Omega teve custo de implantação de R$ 9 milhões, foi desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e pela Polícia Civil e é administrado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol).
Antes da criação do Omega, os policiais civis precisavam solicitar aos outros órgãos as informações necessárias para as investigações e, a partir disso, montavam manualmente um mosaico de informações sobre determinado crime, o que imprimia um ritmo mais lento aos trabalhos.
O delegado André Dahmer, da equipe do projeto, comemora o resultado: “há quatro anos nós fizemos um planejamento do núcleo tecnológico da Polícia Civil e o Sistema Omega é um dos nossos principais projetos”. A utilização do Omega já é disciplina da Academia de Polícia e faz parte dos cursos de atualização. Há cadastrados no sistema, atualmente, 4.400 policiais (10% do total) e 570 delegacias (40% do total). Pode-se supor que centenas de pessoas que estavam foragidas tenham sido presas a partir da utilização do Omega. Além disso, foram descobertos novos relacionamentos entre pessoas envolvidas no mesmo crime, assim como rotas de furtos de veículos. < |