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Um labirinto formado por uma rede para a distribuição de água (com cerca de 33 mil quilômetros) e coleta de esgoto (com 24 mil quilômetros), na Região Metropolitana de São Paulo, é eficientemente operado pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp). A população atendida – através dessa imensa e complexa malha de instalações e dutos subterrâneos – soma mais de 18,5 milhões de habitantes, distribuídos entre clientes residenciais, comerciais e industriais. A Sabesp registra em média 78 mil solicitações de atendimento por mês, lidando com questões como qualidade da água fornecida, rompimentos de tubulação, vazamentos e manutenção da rede.
Toda essa infra-estrutura e as atividades a ela relacionadas geram um volume imenso de dados e informações que devem ser arquivados, organizados e facilmente disponibilizados sempre que necessário, possibilitando à empresa cumprir sua missão de fornecer – com o menor custo e a maior qualidade possíveis – um dos insumos mais fundamentais para a vida, a água, e um serviço essencial para a saúde pública, o saneamento básico.
Atenta à difusão cada vez maior das novas geotecnologias aplicadas ao conhecimento do meio ambiente e ao que nele ocorre, a Sabesp implantou recentemente o Sistema de Informações Geográficas no Saneamento (Signos) em apoio a diversos de seus processos de negócio. Trata-se de uma base digital que centraliza todos os dados e informações relevantes sobre a atuação da Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo. Mais que isso, é possível – graças às tecnologias de georreferenciamento utilizadas – posicionar as ocorrências detectadas sobre o mapa da região problematizada.
O sistema representa uma revolução no gerenciamento dos dados coletados, com forte impacto sobre a atuação, o planejamento e a gestão da empresa. O Signos foi integrado a outros sistemas corporativos, como o sistema comercial (que gerencia as informações dos clientes e seus consumos), o sistema de gerenciamento de ordens de serviço de campo (que cuida das intervenções operacionais nas redes de água e esgotos), o sistema de manutenção (responsável pelo gerenciamento das intervenções em grandes estruturas: adutoras, estações elevatórias, subestações de energia elétrica etc.) e o sistema de controle de qualidade (responsável pelo gerenciamento das atividades de coleta de amostras nas redes e execução de ensaios em laboratório).
Por tudo isso, José Carlos de Lima, Gerente de Cadastro Técnico da Unidade de Negócios Oeste, da Região Metropolitana de São Paulo, afirma que a adoção do sistema representou um avanço muito grande: “Antes eu tinha um mosaico de dados espalhados por plantas. Agora, tenho toda esta informação em um único lugar”.
Além dos usuários conectados ao sistema através de estações de trabalho dedicadas, as informações do Signos também estão disponíveis na intranet da empresa, possibilitando a qualquer funcionário consultar informações e chamar a atenção para inconsistências cadastrais. Em outras palavras, todos podem contribuir para o controle de qualidade dos dados. As inconsistências informadas são enviadas, pelo próprio sistema, à área responsável pela manutenção daqueles dados, a qual caberá providenciar a verificação em campo e a eventual modificação cadastral. O Signos permite soluções que vão desde a localização ágil das plantas necessárias para as equipes de manutenção, até a montagem de cenários amplos para estudos de planejamento e tomada de decisões pela direção da empresa.
“O Signos é acima de tudo uma ferramenta de gestão e planejamento”, explica Silvana Franco, coordenadora do projeto, junto com Maurício Loureiro e Kamel Zahed Filho. Em uso desde 2004, está em fase final de implementação, sem que todas as possibilidades oferecidas pelo sistema tenham sido ainda, segundo a própria Silvana, totalmente exploradas. “É possível fazer tanta coisa que ainda está-se desenvolvendo a noção mais ampla do seu uso.”
Lima mostra uma foto aérea de uma região de Osasco, com o traçado atual da rede de esgoto e a projeção de novas ligações. É possível observar a ocupação da área, seu relevo, e como o esgoto escoa para os coletores de maior diâmetro e, esses, para as estações de tratamento. Os dados armazenados no Signos, associados a outras informações gerenciadas por sistemas de informação já existentes na Sabesp, trouxeram uma série de benefícios. Houve ampliação do conhecimento a respeito do comportamento hidráulico das redes – onde existe maior número de rupturas ou obstruções, quais as possíveis causas –, o que auxilia na tomada de decisões sobre operação e manutenção. Durante um evento de manutenção, os técnicos podem identificar com precisão quais válvulas devem ser fechadas, de modo a afetar a menor área possível. Os clientes afetados por uma manobra da rede (manutenções preventivas, por exemplo) podem ser avisados antecipadamente com facilidade. Como o Signos identifica projetos e obras em andamento, bem como suas interferências sobre o entorno, pode fornecer as informações necessárias para que se solicite uma intervenção no tráfego à companhia de trânsito local.
Implantação
O Signos nasceu durante a execução da segunda etapa do projeto de despoluição do rio Tietê, como uma das ações previstas para melhorar o gerenciamento da coleta de esgoto e distribuição de água na Região Metropolitana de São Paulo. O projeto – financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) – teve início com a avaliação das necessidades dos usuários, o desenvolvimento conceitual do sistema e a organização de programas de capacitação no Laboratório de Geoprocessamento da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Embora já houvesse projetos pontuais de geoprocessamento em execução na empresa, os quais cumpriam apenas funções operacionais, o Signos foi proposto e implantado como um sistema amplo e corporativo, integrado a todas as demais bases de informação da Sabesp. Seu desenvolvimento e implantação, ao longo de 32 meses (janeiro de 2003 a agosto de 2005), exigiram investimento de R$ 40 milhões e envolveram 275 profissionais da própria Sabesp e de empresas contratadas.
Para se ter uma idéia do que significa a implantação de um sistema de informação como este – em relação à real dimensão de toda a atuação da Sabesp em São Paulo –, o processo resultou, apenas na fase de implementação, em uma lista de 1800 atividades executadas pelo grupo.
Um dos desafios enfrentados foi o alto impacto que se teve com o Signos em algumas áreas da empresa, como os cadastros técnicos e os escritórios regionais, responsáveis pela catalogação das redes e dos clientes da companhia, respectivamente. O Signos exigiu um grande volume de trabalho inicial, e também a revisão dos procedimentos existentes. O apoio da alta direção e a participação massiva do corpo técnico da empresa foram fundamentais na implantação de todo o projeto.
O funcionamento ideal do sistema requer cuidado constante, seja com a manutenção dos dados, a inclusão de novos clientes e ramais da Sabesp, seja com o software (atualização de versão e aquisição de licenças), o hardware (reparos e ampliações) e a rede de comunicação. Duas novas áreas foram criadas para acompanhar a boa utilização do sistema: uma responde pela manutenção corretiva e evolutiva, e acompanha a integração com os demais sistemas da empresa; a outra tornou-se responsável por fazer o acompanhamento dos grupos de usuários, priorizando as atividades de aperfeiçoamento e propondo relatórios e mapas temáticos consolidados para a Diretoria. Também foi criado um fórum virtual, no qual os usuários continuamente discutem e sugerem melhorias de interface e novas funções. Atualmente, está em estudo a possibilidade de se agregarem informações sobre mananciais e gestão patrimonial. Já estão disponíveis alguns dados do sistema para empresas cadastradas, prestadoras de serviço ou companhias que tenham redes subterrâneas, através do sítio da Sabesp na Internet. A Sabesp e a Comgás, a concessionária de gás na região metropolitana, já firmaram um acordo de cooperação para compartilhar informações, evitar danos mútuos e reduzir os riscos de acidentes para os trabalhadores das duas empresas responsáveis pela execução de obras de manutenção, o que só foi possível pela integração entre os sistemas geográficos dessas empresas – o Signos e o Geogás.
A cidade na tela
Toda a complexidade técnica, os desafios de implantação e gestão, e o volume de informações armazenadas desaparecem quando, em uma simples consulta a partir do nome de uma rua, surge na tela do computador a infra-estrutura escondida sob o asfalto, seu histórico e sua integração a um amplo e complexo sistema.
Apesar de recente, o Signos já trouxe mudanças significativas – na maneira como os gestores planejam e definem prioridades, no atendimento aos clientes e no trabalho das equipes de campo.
O cenário em que atua a companhia, assim como todas as marcas de sua ação, antes espalhados por milhares de folhas, plantas, tabelas e cadernetas técnicas, foram reunidos, organizados e tornaram-se acessíveis para a tomada de decisões de planejamento. À semelhança do produto com que lida a Sabesp, tornaram-se, enfim, transparentes como a água. |