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TEIA MULTIMÍDIA

UMA DAS MAIORES INFRA-ESTRUTURAS DE ENSINO A DISTÂNCIA RECEBE O PRÊMIO NA CATEGORIA “GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS”
POR PATRÍCIA POLO

Os números são grandiosos e os desafios, maiores ainda. Seis milhões de estudantes atendidos em 68 mil salas de aulas, distribuídas em 645 municípios; mais de 300 mil profissionais, entre professores, coordenadores pedagógicos, diretores, assistentes e supervisores, que precisam ser informados e capacitados continuamente, para garantir a educação das futuras gerações.

Encurtar distâncias e adotar programas de formação a distância que fossem eficientes e alcançassem a sinergia necessária poderiam ser obstáculos intransponíveis para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que queria fazer de seus profissionais o principal foco de investimento. Graças a um projeto inovador – a Rede do Saber –, essas barreiras foram superadas com sucesso.

Parte da IntraGov, rede de comunicação interna do governo do Estado, a Rede do Saber é uma teia de comunicações e informações multimídia que conecta, em tempo real, todas as diretorias de ensino aos órgãos centrais e de apoio à Secretaria de Educação e às universidades parceiras ao projeto (PUC e USP).

São cerca de 2 mil computadores interligados em rede, cem salas de videoconferência com capacidade para quarenta pessoas, além de cem laboratórios instalados em 89 localidades espalhadas estrategicamente pelo Estado, possibilitando expandir e acelerar as atividades de formação de quadros da secretaria. Para concluir o projeto, foram investidos R$ 26 milhões na adequação física, tecnológica e de mobiliário.

“Do ponto de vista da infra-estrutura, o projeto é extremamente versátil, mas o grande diferencial é sua matriz metodológica. Mais do que um conjunto de equipamentos e espaços físicos e virtuais, a Rede do Saber é uma tecnologia educacional em sentido mais amplo – um conhecimento aplicável, um saber-fazer voltado à formação continuada com apoio de tecnologias, que se iniciou com o programa de educação continuada em Formação Universitária e que vem-se aperfeiçoando a cada nova ação desenvolvida pela secretaria”, explica Beatriz Scavazza, coordenadora-executiva da Fundação Vanzolini, que ajudou a desenvolver o projeto.

No final de 2002, a Rede do Saber garantiu formação superior – sem sair de suas regiões, com grande economia de tempo e recursos financeiros – a cerca de 7 mil professores da 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, até então sem curso universitário. O programa de educação continuada (PEC) em Formação Universitária nos Municípios usa até hoje recursos tecnológicos da Rede do Saber em 41 municípios e atende a cerca de 5 mil alunos.

“A experiência, tanto para quem ensina quanto para quem aprende, é muito enriquecedora”, afirma Tatiana Guazzelli, instrutora e orientadora do PEC-Formação Universitária. “A Rede é ao mesmo tempo uma ferramenta de formação continuada e de inclusão digital, já que muitos professores não estão familiarizados com o uso de tecnologia, imprescindível nos dias de hoje”, opina.

Experiência transformadora

A Rede do Saber busca qualificar as ações de capacitação por meio da escolha, por exemplo, dos melhores especialistas em educação para interagir na rede estadual de ensino. A partir dos estúdios de geração de conteúdo, professores da USP, da Unesp e da PUC-SP ministraram aulas, por videoconferência, para professores em vários locais de aprendizagem.

Graças ao sucesso desse modelo de gestão educacional a distância, muitos projetos de formação surgiram e estão em andamento, a exemplo do Letra e Vida, que teve início em 2003. O programa, de 180 horas-aula, pretende capacitar 46 mil professores. “O curso me transformou. Aplico em minha sala de aula todos os conceitos aprendidos nas videoconferências”, conta Norma Fernandes de Melo, professora de alfabetização de uma escola na periferia de Santo André. No ano passado, a classe de Norma foi eleita pela Diretoria de Ensino como exemplo de experiência bem-sucedida. “O conceito do Letra e Vida é alfabetizar incentivando a prática da leitura, e não mais o visual, como a cartilha e a lousa, a que fomos acostumados”, explica a alfabetizadora.

Outro programa que usa a Rede do Saber é o Construindo Sempre. Trata-se de um programa de capacitação e aperfeiçoamento de Professores de Educação Básica II (PEB II) da rede estadual de ensino, com o apoio de mídias interativas. Desenvolvido pela Fundação de Apoio à Faculdade de Educação (Fafe), da USP, tem como objetivo promover a qualificação profissional da equipe escolar e desenvolver conteúdos que atualizem os professores das escolas públicas, preparando-os para enfrentar questões pedagógicas e curriculares, e problemas sociais encontrados nos estabelecimentos de ensino.

Multiplicando conhecimento

A Secretaria de Educação traçou objetivos bastante definidos para a Rede do Saber, e monitora constantemente todos os aspectos envolvidos no seu funcionamento. Indicadores são observados e analisados mensalmente, de maneira a apontar se as metas definidas estão sendo alcançadas e quais providências precisam ser tomadas para superar as dificuldades detectadas. Quem faz essa pesquisa é a Coordenação Executiva do programa; os dados obtidos são encaminhados à secretaria, que analisa tanto as soluções técnicas implementadas quanto a produtividade das equipes.

“Os indicadores dizem respeito à adequação das soluções técnicas implementadas, à produtividade das equipes, ao funcionamento da infra-estrutura tecnológica (links, servidores, interrupções em videoconferências), à utilização dos recursos de infra-estrutura (salas de videoconferência, salas de informática), às aplicações tecnológicas, aos dados de audiência/público e ao funcionamento das ferramentas de apoio, dentre outros. Além disso, todos os programas implementados pela secretaria são avaliados por agências externas, incluindo aqueles que são realizados na Rede do Saber. E os dados têm apontado para resultados extremamente positivos”, lembra Beatriz Scavazza.

Em seu segundo ano, a Rede do Saber conseguiu atingir 51,4% do indicador de funcionamento predeterminado – ainda que a meta para aquele ano tenha sido de 35%. Desde sua inauguração, a Rede já atendeu a quase 700 mil profissionais, não apenas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, mas também de outros órgãos que têm podido beneficiar-se dos recursos disponibilizados pela Rede. Cabe destacar que uma das principais características do programa é sua replicabilidade, uma vez que as matrizes metodológica e de gestão podem ser aproveitadas para diversos programas de formação continuada, de curta e longa duração, para diferentes públicos-alvo.

O Curso de Introdução à Informática Básica é um bom exemplo disso. Sob a gestão do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o curso visa a transmitir aos servidores públicos estaduais paulistas os conhecimentos introdutórios sobre sistemas operacionais e aplicativos de escritório. Espera-se atingir cerca de 100 mil servidores até agosto de 2006, estimulando a continuidade autônoma do aprendizado da informática como condição para a ampliação do exercício da cidadania, da formação profissional e do desenvolvimento pessoal. O curso ocorre nos ambientes de aprendizagem da Rede do Saber e utiliza o material de instrução desenvolvido pela Fundação Vanzolini para a inclusão digital de professores da rede estadual.

Superando desafios

A grande meta da Secretaria de Educação é tornar-se uma “organização de aprendizagem”, em que a educação se coloque como fim e meio.

Para garantir a homogeneização das ações de formação empreendidas em diferentes ambientes de aprendizagem, firmou-se parceria com renomadas instituições de ensino, que desenvolvem o conteúdo do programa. A colaboração da Fundação Vanzolini, para a implementação de sistema de produção, permitiu criar material impresso, vídeos e CD-ROM, utilizando uma nova metodologia de ensino e uma nova estratégia de gestão. A coordenação foi delegada à Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

Os desafios foram inúmeros, desde o trabalho de permanente pesquisa e atualização para evitar a obsolescência dos recursos disponíveis até a busca constante de soluções para aumentar a capacidade dos servidores e permitir o atendimento simultâneo de muitos usuários. “Mas o maior desafio talvez tenha sido a implementação de uma nova matriz metodológica e pedagógica, rompendo uma cultura de formação arraigada e vencendo resistências com relação às novas formas de aprender e ensinar com o apoio tecnológico”, ressalta Beatriz.

“Recordo que as aulas em videoconferência eram monótonas, as que mais cansavam os alunos, que ficavam dispersos”, ressalta Tatiana Guazzelli, referindo-se ao modelo implementado no PEC-Formação Universitária. “Para dar aula pela TV é necessário dispor de uma metodologia específica, mas acho que, naquele primeiro curso, que introduzia o projeto de formação continuada a distância no Estado, ainda não se tinha encontrado o caminho.”

Dado que a natureza da interação entre professor e aluno em uma videoconferência é absolutamente distinta daquela em uma sala de aula convencional – assim como o tempo necessário para que a interação ocorra –, foi preciso contar com a flexibilidade e a disposição para apropriar novos recursos metodológicos por parte dos especialistas, a fim de que as aulas se tornassem mais dinâmicas e produtivas.

Aos poucos, pequenas adequações vêm sendo feitas para tornar as condições de formação e infra-estrutura cada vez mais favoráveis à proposta que fundamenta a Rede do Saber. Buscam-se o melhor sistema de iluminação das salas de videoconferência e o tratamento acústico de melhor qualidade; ou as formas mais ágeis de garantir a interação entre as turmas e de otimizar as atividades. Prova de que o aprendizado é permanente e, para quem tem fome de saber e multiplicar, não se esgota tão cedo.
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