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Geoprocessamento, geotecnologias, GIS esses termos técnicos vêm ganhando espaço na gestão pública, pois dizem respeito a novas tecnologias que aprimoram nossa capacidade de enxergar o meio ambiente (seja urbano ou rural) e o que nele ocorre. Com sua ajuda, os antigos bancos de dados ganharam novas formas de representação e análise, com o posicionamento de uma ocorrência sobre um modelo do mundo real seja ele uma imagem de satélite, uma foto aérea ou mesmo um mapa cartográfico.
Histórico e conceitos
Conhecer a distribuição geográfica de recursos naturais, de ocupação e uso do solo e de intervenções humanas sempre interessou aos administradores públicos. Tradicionalmente, essas informações eram registradas em documentos e mapas em papel, de fácil acesso e manipulação, mas que ofereciam alto grau de dificuldade para se elaborar análises integradas. Tal tipo de análise permite que os dados contidos nos diversos mapas e documentos sejam observados de forma conjunta, possibilitando entender seus inter-relacionamentos o que é fundamental para dar suporte à decisão de um gestor público.
Somente a partir do desenvolvimento de tecnologias de computação, na segunda metade do século XX, tornou-se viável a aplicação prática da análise integrada nas mais diversas áreas: planejamento, engenharia, geologia, gestão ambiental, dentre outras.
O conjunto de tecnologias afeitas à representação da posição espacial ou geográfica das ocorrências denomina-se geotecnologia ou geoprocessamento.
O termo geoprocessamento é comumente utilizado para designar as tecnologias utilizadas para coleta, processamento, análise e disponibilização de informação com referência geográfica, ou georreferenciadas. As geotecnologias englobam soluções em hardware, software e peopleware, como, por exemplo, sistemas de informações geográficas (SIG ou GIS, na sigla em inglês, como são mais conhecidos), cartografia digital, sensoriamento remoto (imageamento por satélite ou radar), sistema de posicionamento global (GPS, ou Global Positioning System), aerofotogrametria e geodésia, dentre outras.
Os GIS são sistemas informatizados que utilizam um modelo para representar o mundo real, abrangendo funções de captura, armazenamento, recuperação e manipulação de dados posicionalmente definidos. Sua utilização oferece ao administrador (urbanista, planejador, engenheiro) uma visão inédita de seu ambiente de trabalho, na qual as informações disponíveis sobre um determinado assunto estão ao seu alcance, inter-relacionadas com base no que lhes é fundamentalmente comum a posição geográfica.
Potencial e limites
Sempre que o aspecto referente à posição geográfica onde é importante na solução de questões e problemas por um sistema informatizado, indica-se a adoção de um GIS. Esses sistemas vêm revolucionando o modo de trabalhar e pensar das pessoas que usam a geografia no seu dia-a-dia, viabilizando tanto a análise dos dados existentes, como a projeção e a simulação de diferentes cenários. O GIS permite uma modelagem do mundo bastante próxima da percepção da realidade, o que facilita a interação com o usuário.
E quais são seus limites? Essa questão ficará em aberto, uma vez que as geotecnologias evoluem muito velozmente. Hoje em dia, por exemplo, o emprego de geotecnologias é muito comum em ambientes móveis. Palmtops e celulares, com acesso ao GPS, permitem a seus usuários descobrir Onde fica o ponto de táxi mais próximo? ou Qual é o melhor caminho para chegar a um endereço, a partir de tal localização?.
Aplicações mais sofisticadas, como o estudo das modificações na superfície terrestre e nos movimentos do planeta a exemplo dos tsunamis ocorridos no final de 2004 no Sudeste Asiático também são auxiliadas pelas geotecnologias, mais especificamente pelas imagens de satélite e pelas informações enviadas pela constelação de satélites que formam o Global Positioning System.
Se não é possível visualizar o limite de suas aplicações, é simples identificar sua utilidade nas diversas áreas da gestão pública: na elaboração de mapas e cartografia básica, na fiscalização da ocupação do solo e adequação às leis de proteção ao meio ambiente, no estudo e planejamento da utilização de recursos hídricos de uma bacia hidrográfica, no planejamento da adequação e ampliação da infra-estrutura de atendimento à comunidade escolas, delegacias, rede pública de saúde, infra-estrutura rodoviária e de saneamento básico etc. , na avaliação da adoção de políticas públicas, no auxílio às ações da defesa civil. No Estado de São Paulo, diversos órgãos utilizam geotecnologias com propósitos distintos. Um bom exemplo vem da Secretaria da Segurança Pública, que desenvolveu o Sistema de Informação Criminal (Infocrim). O sistema disponibiliza on-line dados georreferenciados gerados a partir de boletins de ocorrência, que podem ser acessados pelos batalhões e companhias da Polícia Militar e pelas delegacias da capital. Ao mapear os dados estatísticos de criminalidade, o Infocrim agiliza a tomada de decisões e permite planejar ações preventivas. O posicionamento das ocorrências no mapa da cidade proporciona uma melhor compreensão das ocorrências criminais, em relação ao entorno (existência de bares, restaurantes, escolas etc.) e a aspectos socioeconômicos da população (através da análise em conjunto com os dados socioeconômicos, por setor censitário, gerados pelo IBGE). Esse tipo de análise é fundamental na elaboração de planos de ação para prevenir e combater a violência.
Bases cartográficas e compartilhamento
Toda e qualquer aplicação de geoprocessamento necessita de uma base cartográfica adequada tanto em termos de escala e nível de representação, como em termos de detalhamento das feições representadas e de atualidade das informações , sobre a qual as demais informações serão posicionadas.
Os custos de elaboração e manutenção da base cartográfica são sempre muito elevados. Para reduzi-los, a melhor alternativa é adotar uma política de compartilhamento. Uma mesma base pode ser utilizada por diversos órgãos estaduais, com ao menos duas vantagens significativas: a financeira (a otimização do recurso investido gera benefícios a todos os parceiros); e a técnica (a possibilidade de visualizar, em uma mesma base cartográfica, um conjunto dos dados gerados por diferentes órgãos: ocorrência de delitos nas proximidades de escolas, por exemplo). Há outros benefícios que cabe destacar: a padronização de informações, a eliminação de esforços redundantes e a divisão de responsabilidades na manutenção e atualização dos dados. Por exemplo, em um cenário de bases cartográficas compartilhadas, a Sabesp poderia informar e atualizar dados sobre redes de saneamento; a Secretaria do Meio Ambiente, sobre os limites da legislação ambiental; a CDHU, sobre a localização de conjuntos habitacionais, e assim por diante.
Nesse contexto, é importante ressaltar o papel dos órgãos geradores de cartografia básica nas diversas escalas IGC no âmbito estadual e Emplasa no âmbito das regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista. Esses órgãos têm sido os responsáveis pela elaboração da cartografia básica desde antes da utilização da cartografia digital, e agora enfrentam o desafio de suprir os diversos usuários de GIS, no âmbito do governo estadual, com dados cartográficos atualizados e confiáveis.
GTGeo
Em seu conjunto, as questões ligadas à utilização de geotecnologias são tratadas, no Estado de São Paulo, pelo Grupo Técnico para Gestão do Geoprocessamento (GTGeo), criado através da Resolução CC-64, de 10/10/2003. Composto por representantes de vários órgãos e coordenado pela Casa Civil, o GTGeo tem por objetivos, dentre outros: dotar o governo do Estado de São Paulo de dados georreferenciados atualizados, que subsidiem a tomada de decisão e permitam implementar soluções para tornar mais ágil a gestão pública; disseminar a cultura de utilização das informações georreferenciadas, preferencialmente com tecnologias abertas; estimular a integração e o compartilhamento dos GIS entre os órgãos e entidades de governo. Para acompanhar as ações coordenadas pelo GTGeo, visite o sítio do CQGP Comitê de Qualidade da Gestão Pública, www.cqgp.sp.gov.br, área destinada a grupos técnicos. < Carla T. De Chiara e Oberdan Storelli são especialistas em geoprocessamento. |