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GERENCIAR COM QUALIDADE

PROGRAMA VÊ GERENTE PÚBLICO COMO ALGUÉM COMPROMETIDO COM A MUDANÇA, A MELHORIA DOS SERVIÇOS E A OTIMIZAÇÃO DO USO DOS RECURSOS DO ESTADO

por Maria de Fátima Infante Araujo, Lais Macedo, Cláudia Antico

O Programa de Desenvolvimento Gerencial (PDG) é resultado de um trabalho realizado pela Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), em conjunto com a Casa Civil do Estado de São Paulo. Dirigido aos gerentes das secretarias e autarquias do Estado, insere-se na política de gestão e de recursos humanos instituída pelo governo paulista. A missão específica do PDG é elevar os padrões de gestão da administração estadual através da capacitação e do desenvolvimento profissional dos gerentes públicos. Tendo o cidadão como referência e a gestão por resultados como princípio, o programa busca informar, sensibilizar e trazer uma nova visão do papel do gerente público, visto como alguém comprometido com a mudança, a melhoria da qualidade dos serviços prestados e a necessidade de otimizar o uso dos recursos públicos. O sucesso do curso - evidenciado tanto pelo alto número de inscrições como por depoimentos de alunos - pode ser atribuído a características inovadoras, de conteúdo e metodológicas.

Capacitação inovadora

O PDG, que tem duração de 76 horas, foi estruturado em módulos temáticos que abrangem diferentes dimensões da gestão pública (ver destaque). Os cerca de oitenta docentes do curso são profissionais com formação didática e especialização em áreas de conhecimento da administração pública. Uma característica inovadora do programa, contudo, é o acompanhamento dos alunos não apenas por professores, mas também por técnicos que contribuem de forma decisiva para o desenvolvimento do programa: os coaches didáticos, ou assistentes de coordenação. Sua principal função é estimular os alunos no processo de aprendizagem e, através de contínuo acompanhamento, registrar novas necessidades de capacitação.

Outra característica inovadora do curso é o Fórum de Discussão, um ambiente virtual, na Internet, que permite a troca de experiências e informações entre os participantes e entre esses e os docentes. Após o término do curso, os alunos podem migrar para Fóruns Temáticos, mais amplos, embriões de futuras redes de conhecimento dos servidores públicos estaduais.

O sistema de gerenciamento dos cursos, desenvolvido pela Fundap, constitui outra inovação do PDG. Informatizado e disponível na Internet, o sistema permite a inscrição dos alunos, o cadastro de turmas, alunos e professores, a verificação da freqüência dos alunos, o monitoramento e a avaliação dos cursos.

Ensino ativo, avaliação constante

A abordagem pedagógica do PDG considera o conhecimento acumulado e a experiência adquirida dos alunos como elementos ativos do processo de ensino-aprendizagem. Além disso, busca-se vincular permanentemente os conteúdos desenvolvidos à sua aplicação na realidade profissional dos participantes. Por isso, os métodos utilizados privilegiam técnicas de dinâmica de grupo, discussões e troca de vivências sobre as problemáticas abordadas.

Na opinião de alunos e professores, dentre os momentos mais enriquecedores do curso estão as chamadas "reuniões de aprendizagem", nas quais, ao final dos módulos de Gestão Estratégica e de Gestão de Pessoas, os alunos, em subgrupos, elaboram planos de aplicação prática referentes aos conteúdos aprendidos. O surgimento de propostas viáveis e criativas demonstra aos próprios alunos o potencial que têm para analisar cenários, identificar problemas e propor soluções.

A heterogeneidade dos participantes também enriquece o processo de aprendizagem. Alunos provenientes de diferentes setores do governo trocam informações, comunicam-se e convivem diariamente, e isso lhes permite identificar problemas comuns e partilhar a busca de alternativas. "Pudemos conviver por onze dias com colegas das mais diversas secretarias, o que nos possibilitou crescer tanto pessoal como profissionalmente", afirma ex-aluno que participou do nono conjunto de turmas do PDG.

Cada módulo é avaliado por docentes, alunos e equipe técnica. Um dos exemplos de mudanças implantadas a partir de demandas dos alunos é a criação do PDG - Educação Continuada, que será oferecido em 2005. Em avaliações no ano passado, grupos de alunos haviam dito que gostariam de ver a continuidade do processo de profissionalização, indicando que isso contribuiria para a consolidação de uma nova filosofia e uma nova visão sobre os recursos humanos do Estado. "[O PDG] é uma iniciativa muito positiva para equacionar conceitos, mostrar a realidade do Estado como um todo, dando uma visão sistêmica, mas deve ser contínuo, para que não se perca a riqueza da vivência e dos conhecimentos adquiridos", afirmou aluno do décimo conjunto de turmas.

O PDG - Educação Continuada aprofunda as matérias trazidas pelo PDG, contempla conteúdos e técnicas relativos a competências tanto funcionais - conhecimentos, habilidades e atitudes referentes a cada processo ou função organizacional - como genéricas, relacionadas aos comportamentos que precisam ser desenvolvidos para alcançar os objetivos estratégicos definidos pela organização.

O processo de avaliação constante também identifica os limites do curso dentro do cenário maior no qual se insere. Ficou evidente durante o curso, por exemplo, que, apesar de alguns setores do Estado desenvolverem práticas administrativas modernas, elas contrastam com procedimentos burocráticos de outra parte dos órgãos públicos, influenciando a forma como o gerente percebe e reage em relação ao seu trabalho. Nas "reuniões de aprendizagem", alguns dos planos de ação elaborados por grupos de trabalho expressam uma consciência clara por parte dos gerentes sobre as limitações existentes para propor e implementar mudanças, relacionadas fundamentalmente à falta de autonomia e de condições organizacionais objetivas para realizá-las. Um aluno do oitavo conjunto de turmas disse que em seu setor "falta uma divulgação adequada de normas e procedimentos, e há pouca receptividade quanto à apresentação de novas idéias que poderiam facilitar o desenvolvimento do trabalho".

Apesar dessas dificuldades, o grande número de inscrições no programa em 2004 indicou uma repercussão positiva do curso nos locais de trabalho. De junho a dezembro, a Fundap recebeu, a cada cinco semanas, aproximadamente seiscentos novos alunos em suas dez salas de aula. Cerca de 2.500 gestores públicos participaram do curso de capacitação gerencial. Estima-se, para o ano de 2005, que 4.500 novos alunos assistam ao PDG, agora também com turmas no interior do Estado - Campinas e Santos no primeiro semestre; Sorocaba e São José dos Campos no segundo semestre.

Depoimentos de gerentes que freqüentaram o curso também sublinham o caráter positivo da experiência. "O programa foi de grande importância, pois não só me possibilitou o conhecimento técnico prático, mas também a reconstrução e reavaliação do meu saber profissional", afirmou ex-aluno que participou do sétimo conjunto de turmas do PDG.

Perspectivas

Uma das premissas mais importantes do PDG é a articulação e a integração permanente entre os conteúdos necessários à profissionalização dos quadros superiores do Estado e os princípios que comandam a implantação de uma nova política de gestão pública.

Nova gestão pública não significa simplesmente uma nova ferramenta de organização de estruturas, sistemas e processos. Ela define também novos paradigmas de comando das relações institucionais, introduzindo conceitos como empreendedorismo e responsabilização. A avaliação de desempenho e o foco em resultados estabelecem um novo conjunto de valores que implicam mudanças profundas em comportamentos e competências esperados dos gerentes públicos. Essa nova maneira de ver o gerente e seu papel torna a formação um dos principais eixos do processo de melhoria da qualidade do setor público. < Maria de Fátima Infante Araujo é diretora da Fundap e responsável pelo PDG. Lais Macedo coordena o programa e Cláudia Antico atua como assistente de coordenação.

> Módulos temáticos do programa de desenvolvimento gerencial

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